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domingo, 2 de maio de 2010

Na calada da noite,
esboço um frágil exercício de recolher escritos.

Na calada de mim mesma,
escritos extraídos do silêncio.

Silêncio e mudez.
Fluxo que acontece à minha revelia,
enquanto pastoreio nuvens, deserta de mim,
ausente do concreto.

O chão, impossível sempre.

(Ana Cecília de Sousa Bastos)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Decididamente não me interessam as vãs soluções,
nem as posições corretas
— essas respostas que a gente busca na opinião
[ informada,
antes de conferir o próprio desejo;
nem os dados que o banco ou a polícia já guardam por ofício,
nem como envelhecemos igual
— por força não da idade, mas do hábito.

De todas as perguntas,
só quero reter a centelha.

Desejo saber a que horas do dia encontro no céu
[ este azul de agora.
Desejo saber a que horas da vida há este sorriso
[ nos olhos dos filhos.
Desejo saber quanto dura a paixão pela vida.

(Ana Cecília de Sousa Bastos)