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terça-feira, 28 de dezembro de 2010





Uma dor de pedaços que não voltam.
Eu sou muitas pessoas destroçadas
.

[Manoel de Barros]

Deus disse: Vou ajeitar a você um dom:
Vou pertencer você para uma árvore.
E pertenceu-me.
Escuto o perfume dos rios.
Sei que a voz das águas tem sotaque azul.
Sei botar cílio nos silêncios.
Para encontrar o azul eu uso pássaros.
Só não desejo cair em sensatez.
Não quero a boa razão das coisas.
Quero o feitiço das palavras.

Manoel de Barros.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010


Uma dor de pedaços que não voltam.
Eu sou muitas pessoas destroçadas.
[Manoel de Barros]

terça-feira, 31 de agosto de 2010


"Que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc.
Que a importância de uma coisa há que ser medida
pelo encantamento que a coisa produza em nós."


Manoel de Barros.

quarta-feira, 28 de julho de 2010


Sei que fazer o inconexo aclara as loucuras.
Sou formado em desencontros.
A sensatez me absurda.
Os delírios verbais me terapeutam.
Posso dar alegria ao esgoto (palavra aceita tudo).
(E sei de Baudelaire que passou muitos meses tenso
porque nao encontrava um título para os seus poemas.
Um título que harmonizasse os seus conflitos. Até que
apareceu Flores do Mal. A beleza e a dor. Essa antítese o
acalmou.)

Manoel de Barros.

A poesia está guardada nas palavras - é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias
(do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado e chorei.
Sou fraco para elogios.

Manoel de Barros.

domingo, 25 de abril de 2010

Só uso a palavra para
compor meus silêncios

Manoel de Barros