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quinta-feira, 18 de novembro de 2010


Nas despedidas
O mais doloroso é que
- tanto o que fica como o que vai embora -
Poem-se os dois a pensar:
"Meu Deus! quando é que parte o raio deste trem!"

(Mário Quintana in "Velório sem defunto.")

terça-feira, 14 de setembro de 2010


"Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas… Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo… E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo. Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz. A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará."

(Mário Quintana)



 “O que mata um jardim não é o abandono. O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente…
E assim é com a vida. Você mata os sonhos que finge não ver.”

(Mário Quintana)

terça-feira, 27 de julho de 2010


Ela era branca, branca. 
Dessa brancura que não se usa mais.

Mas sua alma era furta-cor. 

(Mário Quintana)

segunda-feira, 5 de julho de 2010





Que esta minha paz e este meu amado silêncio não iludam a ninguém. Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta, nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios. Acho-me relativamente feliz, porque nada de exterior me acontece... Mas, em mim, na minha alma, pressinto que vou ter um terremoto!

Mário Quintana.

domingo, 2 de maio de 2010

Todos estes que aí estão.
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho.


(Mário Quintana)

terça-feira, 20 de abril de 2010

- Mas que quer dizer esse poema? – perguntou-me alarmada a boa senhora.
E que quer dizer uma nuvem? – retruquei triunfante.
- Uma nuvem? – diz ela. – Uma nuvem umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo…

Mário Quintana in “Sapato florido”

segunda-feira, 5 de abril de 2010


"No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento..."
 
Mário Quintana

segunda-feira, 22 de março de 2010












O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.

(Mario Quintana)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Tão comodamente que eu estava lendo, como quem viaja num raio de lua, num tapete mágico, num trenó, num sonho. Nem lia: deslizava. Quando de súbito a terrível palavra apareceu, apareceu e ficou, plantada ali diante de mim, focando-me: ABSCÔNDITO. Que momento passei!… O momento de imobilidade e apreensão de quando o fotógrafo se posta atrás da máquina, envolvidos os dois no mesmo pano preto, como um duplo monstro misterioso e corcunda… O terrível silêncio do condenado ante o pelotão de fuzilamento, quando os soldados dormem na pontaria e o capitão vai gritar: Fogo!

Mário Quintana in “Sapato florido”

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Vestir-se.

"Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor."

- Mário Quintana