Eu não me atrevo, só observo. Concluo algo do meu silêncio e me enervo.
Porém, paro antes da palavra, contenho a raiva antes que eu destrave algo grave
E que agrave o meu estado de nervos, expostos em relevo.
Eu observo, mas não sou servo. Levo o meu eu pra longe do enlevo leve
Que deve viver fora do frevo fluido deste meu sangue que ferve.
(Claúdio Costa)
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domingo, 25 de abril de 2010
Sou o Etna, o Vesúvio, sob a calota polar. E eu sempre fui assim em tudo, não é uma exclusividade com relacionamentos. Muitas vezes, pessoas tinham uma impressão errônea de mim, simplesmente por eu não retrucar, por não esclarecer alguns pontos. Eu passava uma distância das coisas que não era real, eu não estava a quilômetros, eu estava a centímetros. Eu queria fazer uma errata e mostrar o que verdadeiramente penso e sou. E o que sou? O que sei é que as minhas costas doem e o meu pé direito está dormente.
Mas acho que no fundo eu gosto de ser assim. Como diz Cazuza, “na dor há uma pontinha de prazer”. Eu chamo isso de auto-sabotagem. Por muitas vezes, deixei de viver momentos bons por estar encaixotada. Situação que eu mesma criava. Eu me saboto. Eu me encaixoto, por algum motivo alheio a razão. Mas, o pior desta trama maquiavélica, é que eu não me sinto incomodada. Claro, que alguma coisa em mim dói, mas nada que eu não possa manter o sorriso. Eu queria, na verdade, mudar; esticar o meu corpo, ajeitar a coluna e andar.
(Trecho de Auto-Sabotagem - Claúdio Costa)
Mas acho que no fundo eu gosto de ser assim. Como diz Cazuza, “na dor há uma pontinha de prazer”. Eu chamo isso de auto-sabotagem. Por muitas vezes, deixei de viver momentos bons por estar encaixotada. Situação que eu mesma criava. Eu me saboto. Eu me encaixoto, por algum motivo alheio a razão. Mas, o pior desta trama maquiavélica, é que eu não me sinto incomodada. Claro, que alguma coisa em mim dói, mas nada que eu não possa manter o sorriso. Eu queria, na verdade, mudar; esticar o meu corpo, ajeitar a coluna e andar.
(Trecho de Auto-Sabotagem - Claúdio Costa)
sábado, 12 de dezembro de 2009
Ato I,
Eu tenho o teor de um ator de teatro,
tenho um olhar trágico e um riso irrisório.Eu tenho um corpo dramático e inglório,
um jeito de sentir clássico,
mas não sou óbvio, sou um obus no meio do passeio público.
Eu tenho um grito sólido e úmido
que se engendrou em mim miúdo
e que hoje cresce e ganha o mundo.
Eu tenho as entranhas da tragédia
mas tenho o tempo certo pra comédia.
Eu rio, desgraçadamente, sobre a corda-bamba,
sem nenhuma rede de segurança
atravesso a faixa que vai da dor a esperança.
E o meu número é cronometrado por um relógio-bomba.
Eu não tenho humor, eu tenho húmus
e entro no palco sem cenário ou luz.
Eu tenho o teor de um ator de teatro,
mas não decoro um texto,
pois eu sigo a textura do momento.
Eu não copio de outrem algum sentimento,
eu represento, somente, a leitura que o meu espírito
faz das elegias que eu não recito.
Eu não atuo em Farsa e não atiro facas
na minha partner, numa roda em movimento.
Eu não faço Kabuki, eu não uso máscaras.
Exponho a cara ao tapa e não estanco o sangramento.
Eu tenho uma sinceridade que não segue roteiro.
Eu tenho a arte de ser verdadeiro.
(Claúdfio Costa - retirado da comunidade de Clarice Lispector, no site de relacionamentos ORKUT.)
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