Mostrando postagens com marcador Ricardo Reis.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ricardo Reis.. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de novembro de 2011



Não quero, Cloe, teu amor, que oprime
Porque me exige amor. Quero ser livre.

A sperança é um dever do sentimento.



Fernando Pessoa
, in “Poesia completa de Ricardo Reis"




















Enquanto eu vir o sol doirar as folhas
E sentir toda brisa nos cabelos
Não quererei mais nada.
Que me pode o Destino conceder
Melhor que o lapso gradual da vida
Entre ignorâncias destas?
Pomos a dúvida onde há rosas. Damos
Metade do sentido ao entendimento
E ignoramos, pensantes.
Estranha a nós a natureza externa
Campos espalha, flores ergue, frutos
Redonda, e a morte chega.
Terei razão, se a alguém razão é dada,
Quando me a morte conturbar a mente
E já não veja mais
Que à razão de sabermos porque vivemos
Nós nem a achamos nem achar se deve,
Impropícia e profunda.
Sábio deveras o que não procura,
Que encontra o abismo em todas as coisas
E a dúvida em si-mesmo.


Fernando Pessoa, in “Poesia completa de Ricardo Reis"

Quando, Lídia, vier o nosso outono
Com o inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem,
Nem para o estio, de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa ─
O amarelo atual que as folhas vivem
E as torna diferentes.


Fernando Pessoa, in “Poesia completa de Ricardo Reis"

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Do que quero renego, se o querê-lo
Me pesa na vontade. Nada que haja
Vale que lhe concedamos
Uma atenção que doa.
Meu balde exponho à chuva, por ter água.
Minha vontade, assim, ao mundo exponho,
Recebo o que me é dado,
E o que falta não quero.

O que me é dado quero
Depois de dado, grato.

Nem quero mais que o dado
Ou que o tido desejo.


Ricardo Reis.