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domingo, 13 de novembro de 2011



Mas ao contrário daquela vez não sentiu agora a comoção do amor e sim o abismo do desencanto.
Num instante teve a revelação completa da magnitude do próprio engano, e perguntou a si mesma, aterrada, como tinha podido incubar durante tanto tempo e com tanta ferocidade semelhante quimera no coração.
 
[Gabriel Garcia Marquez]

domingo, 13 de fevereiro de 2011


Nessa época ouvi dizer que o primeiro

sintoma da velhice é quando a gente

começa a se parecer com o próprio pai.

Devo estar condenado à juventude eterna,

pensei então, porque meu perfil eqüino

não se parecerá jamais ao caribenho cru

que era meu pai, nem ao romano imperial

de minha mãe. A verdade é que as

primeiras mudanças são tão lentas que mal

se notam, e a gente continua se vendo por

dentro como sempre foi, mas de fora os

outros reparam.


"Memórias de minhas Putas Tristes"
Gabriel García Márquez

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011


“(...)os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos."

Gabriel Garcia Marquez

quinta-feira, 18 de novembro de 2010





“Virei outro. Tratei de reler os clássicos que me mandaram ler na adolescência, e não aguentei. Mergulhei nas letras românticas que tanto repudiei quando minha mãe quis me forçar a ler e gostar, e através delas tomei consciência de que a força invencível que impulsionou o mundo não foram os amores felizes e sim os contrariados.”
.


(Gabriel García Márquez)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010


"Na espera havia perdido a força das coxas, a dureza dos seios, o hábito da ternura, mas conservava intacta a loucura do coração."
.
(Gabriel Garcia Marquez)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010


"E sem lhe dar tempo ao pânico libertou-se da matéria turva
que o impedia de viver. Confessou que não passava um instante
sem pensar nela, que tudo o que bebia e comia tinha gosto dela,
que a vida era ela a toda hora e em toda parte, como só Deus
tinha o direito e o poder de ser, e que o gozo supremo de seu
coração seria morrer com ela."

Gabriel García Márquez

terça-feira, 24 de agosto de 2010





"Olhou-o e se apalpou. Sentia-se intangível, inespacial, inexistente. Ele era verdadeiramente um cadáver, e já estava sentindo, sobre seu corpo jovem e doentio, a passagem da morte".

Gabriel García Márquez

"- Reconhecerei você quando vir na rua uma mulher que escreva nas paredes: Olhos de cão azul.
E ela, com um sorriso triste - que já era um sorriso de renúncia diante do impossível, do inalcançável, disse: 'Apesar de tudo, você não recordará nada durante o dia''.


Gabriel García Márquez

sexta-feira, 13 de agosto de 2010


"Ambos eram conscientes de ter tão poucas coisas em comum que nunca sentiam-se mais sozinhos que quando estavam juntos, mas nenhum dos dois havia se atrevido a magoar os encantos do hábito. Precisaram de uma comoção nacional para perceber, ao mesmo tempo, o quanto haviam se odiado, e com quanta ternura, durante tantos anos."

Gabriel Garcia Márquez

sexta-feira, 30 de julho de 2010


Remédios, a bela, foi a única a permanecer imune à epidemia das bananeiras. Deteve-se numa adolescência magnífica, cada vez mais impermeável aos formalismos, mais indiferente à malícia e à desconfiança, feliz num mundo próprio de realidades simples. Não percebia por que razão as mulheres complicavam a vida com corpetes e saiotes, de modo que coseu um balandrau de canhamaço que enfiava simplesmente pela cabeça e resolvia sem mais delongas o problema de se vestir, sem lhe tirar a impressão de estar nua, que era na sua maneira de ver as coisas, a única forma decente de estar em casa.
Aborreceram-na tanto para que cortasse o cabelo e para que fizesse carrapitos com travessas e tranças com laços coloridos, que muito simplesmente rapou a cabeça e fez perucas para santos. O que era espantoso no seu instinto simplificador era que quanto mais se desembaraçava da moda em busca da comodidade, quanto mais passava por cima dos convencionalismos obedecendo à espontaneidade, mais perturbadora se tornava a sua beleza incrível e mais provocador o seu comportamento com os homens.
Gabriel Garcia Marquez

quarta-feira, 12 de maio de 2010


Seu coração de cinza amassada, que tinha resistido sem
fraquejar aos golpes mais certeiros da realidade cotidiana,
desmoronou nos primeiros embates da nostalgia.
A necessidade de sentir-se triste ia se transformando num
vício conforme os anos a devastavam. Humanizou-se na solidão.

Gabriel Garcia Marquez
[Cem anos de solidão]

"A casa se encheu de amor. Aureliano expressou-o em versos que não tinham princípio nem fim. Escrevia-os nos ásperos pergaminhos que lhe dava Melquíades, nas paredes do banheiro, na pele dos seus braços, e em todos aparecia Remedios transfigurada. Remedios no ar soporífero das duas da tarde, Remedios na calada respiração das rosas, Remedios no vapor do pão ao amanhecer, Remedios em todas as partes e Remedios pra sempre."

Cem Anos de Solidão - Gabriel García Márquez.

domingo, 2 de maio de 2010


“(...)
Então deu outro salto para se antecipar às predições e averiguar a data e as circunstâncias da sua morte. Entretanto, antes de chegar ao verso final já tinha compreendido que não sairia nunca daquele quarto, pois estava previsto que a cidade dos espelhos (ou das miragens) seria arrasada pelo vento e desterrada da memória dos homens no instante em que Aureliano Babilônia acabasse de decifrar os pergaminhos e que tudo o que estava escrito neles era irrepetível desde sempre e por todo o sempre, porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda oportunidade sobre a Terra.”

(Gabriel García Márquez - Cem anos de solidão)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

"A dor havia voltado, tão intensa e pontual como antes, mas ele decidiu não dar importância e dedicar-se a viver a vida do jeito que fosse."

Gabriel Garcia Marquez

domingo, 28 de março de 2010

"Não sinto nada mais ou menos, ou eu gosto ou não gosto.
Não sei sentir em doses homeopáticas.
Preciso e gosto de intensidade, mesmo que ela seja ilusória e se não for assim, prefiro que não seja.
Não me apetece viver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar.
Não sei brincar e ser café com leite.
Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma, que tenha coragem suficiente pra me dizer o que sente antes, durante e depois ou que invente boas estórias caso não possa vivê-las. Porque eu acho sempre muitas coisas - porque tenho uma mente fértil e delirante - e porque posso achar errado - e ter que me desculpar - e detesto pedir desculpas embora o faça sem dificuldade se me provarem que eu estraguei tudo achando o que não devia.
Quero grandes histórias e estórias; quero o amor e o ódio; quero o mais, o demais ou o nada.
Não me importa o que é de verdade ou o que é mentira, mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer e me fazer crêr que é para sempre quando eu digo convicto que "nada é para sempre."

[ Gabriel García Márquez ]

sábado, 20 de fevereiro de 2010

 

'' Não deixara de pensar nela um único instante desde que Fermina Daza o rechaçou sem apelação depois de uns amores longos e contrariados, e haviam transcorrido a partir de então cinqüenta e um anos, nove meses e quatro dias. Não tivera que manter a conta do esquecimento fazendo uma risca diária nas paredes de um calabouço, porque não se havia passado um dia sem que acontecesse alguma coisa que o fizesse lembrar-se dela. ''

(Gabriel García Marquez)
 

''A leitura se tornou para ele um vício insaciável. (…)A única coisa que sabia com clareza era que entre a prosa e os versos preferia os versos, e entre estes preferia os de amor, que decorava mesmo sem querer a partir da segunda leitura, o que lhe era ainda mais fácil quanto mais se tratasse de versos bem rimados, bem medidos, bem desesperados.'' 

(Gabriel García Marquez)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

''Não me apetece viver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar.Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma."

(Gabriel García Marquez)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

“... Se converteu em seu protetor incondicional, em seu fiador de tudo, sem se dar sequer o trabalho de averiguar quem era, nem o que fazia, nem de que guerras sem glória vinha naquele estado de invalidez e descalabro...”

(O Amor nos Tempos do Cólera)

sábado, 30 de janeiro de 2010

 

"Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só ´sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado de alma e sim um signo do zodíaco".

Gabriel Garcia Marquez