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quarta-feira, 30 de junho de 2010


 Café quente à mão, um frio invade todo o meu corpo -- já não sei distinguir o que é vento e o que é silêncio. repouso o café sobre a mesa; estou viva. um pouco cega, mas viva. e neste momento quero que toda a minha existência se resuma a este exato segundo (que acaba de passar sem despedidas...).
não quero pensar... em nós. não quero pensar no que nós fomos... porque isso me levaria a pensar no que nos tornamos e isso me dói. dói mais do que sou capaz de suportar.
hoje quero caminhar, assim, sem ver por onde ando. quero fechar os olhos e me esconder ali, no canto da minha própria escuridão desordenada, sem pensar em nada. deixar o vazio tomar conta de tudo, devorando qualquer resto de pensamento seu que ainda pulsa, em sussurros, em qualquer lugar dentro de mim.

Beatriz Campos.

segunda-feira, 21 de junho de 2010


Arrastei os olhos até a janela. O céu estava bonito, azul, indiferente a tudo. Grandes nuvens brancas manchavam a imensidão azulada. O sol brilhava, grandioso.
Mas, naquele dia, era diferente. Tudo aquilo me dava um grande aperto no peito e uma vontade de chorar.
O mundo não se importava com o meu sofrimento. As pessoas continuavam a caminhar pela calçada, o sol ainda brilhava, as flores ainda exalavam seus perfumes. Podia ouvir do quarto os gritos divertidos das crianças que corriam, suadas, pelas ruas.
Afastei o olhar da janela, me encontrando novamente no espelho. Eu era quase irreconhecível. Tentei sorrir, fracassando.

Desci as escadas em passos lentos, não me preocupando em chegar a lugar algum. Eu não tinha pressa. A vida havia perdido o sentido. Me sentia cansada, a cabeça doía… parecia ressaca, mas não era. Meus pés me guiavam pela sala, solitária e vazia. Ninguém em casa.
Ninguém em lugar nenhum.

Solitária e vazia.

Beatriz Campos.