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quinta-feira, 22 de julho de 2010


Na noite fria do esquecimento.
Você vê, eu não me esqueci,
Da canção que você cantava...
É uma canção que parece com a gente,
Você que me amava, eu que te amava.
Nós vivíamos, os dois, juntos,
Você que me amava, eu que te amava.
E a vida separa aqueles que se amam,
Levemente, sem fazer barulho.
E o mar apaga, sobre a areia,
Os passos dos amantes separados.

Jacques Prévert.

quinta-feira, 20 de maio de 2010


Diz não com a cabeça
e sim no coração
diz sim às coisas que ama
diz não ao professor
está em pé
é arguido
e lhe são feitas todas as perguntas
de repente é acometido
por uma gargalhada
e ele apaga tudo
as palavras e os algarismos
as datas e os nomes
as frases e as armadilhas
e apesar das ameaças do mestre
sob as vaias dos meninos geniais
com pedaços de giz de todas as cores
no quadro-negro da amargura
desenha o rosto da ventura.

Jacques Prévert
[Tradução: Cláudio Veiga]