Mostrando postagens com marcador Mariana Chagas.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mariana Chagas.. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de julho de 2010


"Eu queria fazer um desenho bem bonito, em que você me abraçasse daquele jeito meio de lado, pra que nós dois vissemos os tons róseos e alaranjados do sol se pondo, mas eu perdi alguns lápis, eu perdi algumas palavras, a gente perdeu tanto tempo, borracha, sacada, branco, violeta. Tantas vezes eu te disse que era preciso cuidado e você não entendeu."

 Mariana Chagas.

Aprendi a amar sob o signo do efêmero, avisada de que a qualquer momento podia me flagrar vivendo de mentira ou despencando de uma torre muito alta que a mim não pertencia. Alfabetizei o peito e os olhos para acolher o adeus a qualquer momento e por qualquer motivo, em muitas línguas, de muitas formas, mesmo sussurrado em ausência e silêncio. Eduquei os braços para o regresso do vazio e os pés para dar meia volta e seguir noutra direção, como se o amor fosse frágil, perecível, volátil, fugidio, como se eu nunca fosse capaz de fazê-lo vingar, ou não merecesse permanência, mais que uma miragem, um presságio, um trailer. Peço perdão se não sei mergulhar no que para mim sempre foi um poço raso demais. Para isso é preciso mais que certezas. Para isso é preciso fé. 

(Mariana Chagas)

"Pedaços dispersos de vida dispersa. As cores, as cenas, os ângulos, a trilha sonora, guardados em arquivos protegidos. Os diálogos, os silêncios, gravados em cordas tênues. Os fatos, as coincidências, todos parte de uma trama, de um enredo sem autor. Os cheiros, os gostos, os arrepios, soltos nos ares de tempos atrás, volta e meia reaparecem trazidos por um vento perdido. E os filmes que a gente não vai ver, os carinhos que não acariciarão, as músicas que não vão embalar momentos, os caminhos que não mais se cruzarão? Se você tivesse uma borracha e uma caneta, qual delas usaria?" 

(Mariana Chagas)