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terça-feira, 27 de julho de 2010






Posso agora dizer ao tempo, em seus rigores:
- Não envelheço, não! podeis correr, sem calma,
Levando na torrente as vossas murchas flores
Ninguém há de colher a flor que eu tenho n’alma!
(...)
Victor Hugo

terça-feira, 6 de julho de 2010


"Assim o espírito que se libertou do materialismo, das convenções rotineiras e das imperfeições humanas, em vez de fazer de uma fração do globo terreno o objeto de seu amor, votá-lo-á indistintamente a todas as outras frações que completam esta unidade que se chama - a Terra. Em vez de restringir sua afeição a um só país, amará igualmente todas as nações, certo de que mais tarde todas formarão uma só Pátria, regida por um monarca supremo, o Onipotente, síntese de todas as perfeições, com um só pavilhão, onde se lerá escrita em caracteres luminosos, a legenda - " Deus e amor ao próximo". Em torno desse pavilhão virão agrupar-se as diversas raças que ainda hoje se odeiam, fundir-se todas as nações formando uma só, grande e poderosa, pelo fulgor de suas virtudes. Os elevados sentimentos que, até aqui, os Espíritos que na Terra encarnam têm consagrado, nas suas múltiplas encarnações, cada vez a um dos países que cobrem a superfície desse planeta, acabarão por constituir um foco único do qual irradiará o amor puro, feito de altruísmo, de compaixão, de humildade."

Victor Hugo.

domingo, 27 de junho de 2010


Amanhã, muito cedo, alvejando a campina,
Vou partir. Que me estás esperando, eu bem sei.
Eu vou pela floresta e vou pela montanha.
Ficar longe de ti, não mais suportarei.

Eu andarei com o olhar preso em meu pensamento,
Sem ouvir som nenhum e ao redor nada ver,
Curvado, estranho e só, tendo os braços cruzados,
Triste e o dia pra mim noite escura há-de ser.

Não olharei o sol dourado que se esconde,
Nem junto a Harfleur, ao longe, as velas pequeninas,
E quando lá chegar, eu deixo em teu jazigo
Alguma flor silvestre, um ramo de boninas.
Victor Hugo

sexta-feira, 19 de março de 2010

O belo é necessário.

Neste mundo o lindo é necessário. Há mui poucas funções tão importantes como esta de ser encantadora. Que desespero na floresta se não houvesse o colibri! Exalar alegrias, irradiar venturas, possuir no meio das coisas sombrias uma transmudação de luz, ser o dourado do destino, a harmonia, a gentileza, a graça, é favorecer-te. A beleza basta ser bela para fazer bem. Há criatura que tem consigo a magia de fascinar tudo quanto a rodeia; às vezes nem ela mesmo o sabe, e é quando o prestígio é mais poderoso; a sua presença ilumina, o seu contato aquece; se ela passa, ficas contente; se pára, és feliz; contemplá-la é viver; é a aurora com figura humana; não faz nada, nada que não seja estar presente, e é quanto basta para edenizar o lar doméstico; de todos os poros sai-lhe um paraíso; é um êxtase que ela distribui aos outros, sem mais trabalho que o de respirar ao pé deles. Ter um sorriso que - ninguém sabe a razão - diminui o peso da cadeia enorme arrastada em comum por todos os viventes, que queres que te diga? é divino.

Victor Hugo, in ‘Os Trabalhadores do Mar’