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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

 
 
… pois havia momentos em que não se podia nem pensar nem sentir.
E quando não se consegue nem pensar nem sentir ..
- onde se está?

Virginia Woolf

sexta-feira, 30 de julho de 2010


E o que aconteceria depois? Pois ela sentia que ele ainda a olhava, mas seu olhar havia mudado. Ele queria alguma coisa - exatamente o que ela achava tao dificil de lhe dar : queria que ela dissesse que o amava. Mas isso ela nao podia fazer. Ele tinha muito mais facilidade para falar do que ela. Ele conseguia dizer as coisas - ela nunca. Assim, naturalmente, era ele quem sempre dizia as coisas, e, por algum motivo, de repente se ressentia disso e a reprovava. Uma mulher fria - era como ele a chamava; nunca lhe dizia que o amava. Mas nao era nada disso - nao era isso. É que ela nunca conseguia dizer o que sentia, isso era tudo.
Virginia Woolf.

domingo, 2 de maio de 2010

Entre os atos,


Todos esses olhos, expandindo-se e estreitando-se, alguns adaptados à luz, outros às trevas, espreitavam de diferentes recantos e ângulos. Diminutos ruídos de coisas mordidas ou que farfalham, rompiam o silêncio. Sopros de doçura e suculência perpassavam como se corressem nas veias do ar. Uma mosca azul pousara no bolo e enfiava a tromba curta na massa dourada. Uma borboleta banhava-se sensualmente ao sol sobre um prato amarelo.

(Virginia Woolf)

terça-feira, 13 de abril de 2010

"E mesmo assim, sabia que o conhecimento e a sensatez se ocultavam no coração da Sra. Ramsay. Como, perguntara-se então, podia-se saber certas coisas sobre os outros, se eram assim tão fechados? Somente como uma abelha, atraída pela suavidade ou a acidez do ar - inatingíveis ao tato ou ao gosto - é que se podia frequentar a colmeia (...); as colmeias que eram as pessoas."

Rumo Ao farol - Virgínia Woolf

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

E por toda parte, embora tão cedo, era um estrépito, uma agitação de pôneis a galope, um bater de paus de criquete; lordes, Ascot, Ranelagh e os demais; tudo envolto na macia encharpe do ar azul e cinza da manhã, que a ia retirando à medida que o dia se desgastava, e devolvendo ao gramado os saltitantes pôneis, cujas patas mal tocavam o chão, e mais os irrequietos jovens e as ridentes moças, que, mesmo depois de haverem dançado toda à noite, levavam agora a passeio os seus incríveis cachorrinhos felpudos; e agora mesmo, naquela hora, velhas damas discretas estavam saindo, nos seus autos, para não se sabia que misteriosas andanças; e os lojistas atarefavam-se nas vitrinas com suas imitações e diamantes, seus lindos broches verde-mar do século XVIII, de tentar americanos, e ela própria, também, amando como amava aquilo tudo com uma absurda e religiosa paixão;

(Virginia Woolf- Mrs. Dalloway)
" Nunca alguém pareceu tão triste. Amarga e escura, a meio caminho nas trevas, sob o feixe de luz que fugia do sol para encerrar-se nas profundezas, talvez uma lágrima tenha caído; e uma lágrima caiu; as águas agitaram-se de um lado para outro e receberam-na, depois acalmaram-se. Nunca alguém pareceu tão triste."

(Virginia Woolf - to the lighthouse)