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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011






''E a bela dança nasce do fervor com que se dança. E o fervor a
dançar exige que todos dancem, mesmo aqueles que dançam mal.
A não ser assim, deixa de haver fervor e passa a haver apenas
academia petrificada e espetáculo sem significação."

Saint-Exupéry, in "Cidadela"

quarta-feira, 20 de outubro de 2010


"Descubro com melancolia que o meu egoísmo não era tão grande assim, pois dei ao outro o poder de me magoar."

(O amor do Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry)

terça-feira, 21 de setembro de 2010


As pessoas grandes adoram os números. Quando a gente lhes fala de um novo amigo, elas jamais se informam do essencial. Não perguntam nunca: “Qual é o som da sua voz? Quais os brinquedos que prefere? Será que coleciona borboletas?” Mas perguntam: “Qual é sua idade? Quantos irmãos ele tem? Quanto pesa? Quanto ganha seu pai?” Somente então é que elas julgam conhecê-lo. Se dizemos às pessoas grandes: “Vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, gerânios na janela, pombas no telhado…” elas não conseguem, de modo nenhum, fazer uma idéia da casa. É preciso dizer-lhes: “Vi uma casa de seiscentos contos”. Então elas exclamam: “Que beleza!”
 .Antoine de Saint-Exupéry in O Pequeno Principe

terça-feira, 17 de agosto de 2010


"Não a devia ter escutado - confessou-me um dia - não se deve nunca escutar as flores. Basta olhá-las, aspirar o perfume. A minha embalsamava o planeta, mas eu não me contentava com isso. A tal história das garras, que tanto me agastara, me devia ter enternecido..."

Antonie Saint-Exupéry.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010


Tive assim, no correr da vida, muitos contatos com
muita gente séria. Vivi muito no meio das pessoas
grandes. Vi-as muito de perto Isso não melhorou, de
modo algum, a minha. antiga opinião
Quando encontrava uma que me parecia um pouco lúcida.
fazia com ela a experiência do meu desenho número 1,
que sempre conservei comigo. Eu queria saber se ela
era verdadeiramente compreensiva. Mas respondia sempre:
"é um chapéu". Então eu não lhe falava nem de jibóias,
nem de florestas virgens, nem de estrelas. Punha-me
ao seu alcance. Falava-lhe de bridge, de golfe, de
política, de gravatas. E a pessoa grande ficava encantada
de conhecer um homem tão razoável.



Do livro; “O pequeno príncipe” - Saint Exupery

terça-feira, 3 de agosto de 2010


"...Fabien via a aurora como uma praia de areias douradas, onde encalhariam depois desta terrível noite. Surgiria, sob o avião ameaçado, o abrigo das planícies. A terra firme traria as herdades adormecidas, os rebanhos e as colinas. Todos os escolhos que nasciam nas trevas tornar-se-ião inofensivos. Se ele pudesse, com que vontade vogaria em direção ao dia...Mas de que lhe serviria agora cravar o olhar no leste, onde o Sol vivia: havia, entre eles, tal profundidade noturna, que era imposssível vencê-la."

Antonie Saint-Exupéry.

terça-feira, 6 de julho de 2010


[...] E pensava: essa gente quase não sofre o seu destino. E o que me atormenta aqui não é a caridade. Não se trata da gente se comover sobre uma ferida eternamente aberta. Quem tem essa ferida não sente.
Essa ferida não é no indivíduo, é na própria espécie humana. Não creio na piedade. O que me atormenta não é essa miséria na qual, afinal de contas, um homem se acostuma, como no ócio. Gerações de orientais vivem na sujeira e gostam de viver assim. 

Terra dos Homens, Saint Exupery.

sábado, 26 de junho de 2010


"Tu olharás, de noite, as estrelas. Onde eu moro é muito pequeno, para que eu possa te mostrar onde se encontra a minha. É melhor assim. Minha estrela será então qualquer das estrelas. Gostarás de olhar todas elas... Serão, todas tuas amigas. E depois, eu vou fazer-te um presente..."


[Antonie de Saint-Exupery]

segunda-feira, 14 de junho de 2010


“Não soube compreender coisa alguma!
Devia tê-la julgado pelos atos, não pelas palavras.
Ela me perfumava, me iluminava... Não devia jamais ter fugido.
Deveria ter-lhe adivinhado a ternura sob os seus pobres ardis.
São tão contraditórias as flores!
Mas eu era jovem demais para saber amar.”

O pequeno príncipe – Antoine de Saint Exupér

sábado, 24 de abril de 2010

domingo, 18 de abril de 2010

"- É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas! Do contrário, quem virá visitar-me ? Tu estarás longe... Quanto aos bichos grandes, não tenho medo deles. Eu tenho as minhas garras. 
(E ela mostrava ingenuamente seus quatro espinhos. Em seguida acrescentou:)
- Não demores assim, que é exasperante. Tu decidiste partir. Então vai!
(Pois ela não queria que ele a visse chorar. Era uma flor muito orgulhosa.)"

Página 36, Le Pettit Prince. Saint-Exupéry, Antoine.

sábado, 20 de março de 2010


"Porque eu prescrutei com verdadeira atenção as relações que intercedem entre os homens e vim a descobrir os perigos da inteligência, que acredita que a linguagem apreende. E as respostas nas disputas. Porque não é pela via da linguagem que eu hei de transmitir o que em mim existe. O que existe em mim não há palavra que o diga. Eu só posso significar na medida em que tu já o compreendes por outros caminhosque não a palavra. Pelo milagre do amor ou porque, por sermos filhos do mesmo Deus, tu te pareces comigo. De outra maneira, puxo pelos cabelos o mundo que se acha submerso em mim. E, ao acaso da minha inépcia, só mostro esse aspecto dele ou aqueloutro, da mesma maneira que significar menos mal que esta montanha é alta, ao passo que ela é uma coisas completamente diferente. E eu a falar da magestade da noite quando se tem frio nas estrelas."

Cidadela - Antoine Saint-Exupéry.

sexta-feira, 19 de março de 2010

"Jovem burocrata, meu companheiro aqui presente, ninguém nunca fez com que te evadisses, e não és responsável por isso. Contruíste tua paz tapando com cimento, como fazem as térmitas, todas as saídas para a luz. Ficastes enroscado em tua segurança burguesa, em tuas rotinas, nos ritos sufocantes de tua vida provinciana; erguestes essa humilde proteção contra os ventos, e as marés, e as estrelas. Não queres te inquietar com os grandes problemas e fizeste um grande esforço para esquecer a tua condição de homem. Não és o habitante de um planeta errante e não lanças perguntas sem solução: és um pequeno-burguês de Toulouse. Ninguém te sacudiu pelos ombros quando ainda era tempo. Agora a argila de que és feito já secou, e endureceu, e nada mais poderá despertar em ti o músico adormecido, ou o poeta, ou o astrônomo que talvez te habitassem

"Exupéry-Terra dos Homens "

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

" Ela nutrira-o, vigiara-o, acariciara-o, não para si própria, mas para esta noite que ia arrebatar-lhe. Para lutas, angústias, vitórias que ela desconheceria. Estas mãos carinhosas estavam apenas domesticadas e o seu verdadeiro trabalho era obscuro. Ela conhecia o sorriso daquele homem, os seus cuidados de amante, mas ignorava quais as suas divinas cóleras no meio das tempestades. Prendia-o com doces amarras: música, amor, flores, mas, ao soar a hora da partida, as amarras quebravam-se sem que isso parecesse provocar-lhe o mínimo sofrimento. "

- Antoine em " Vôo Noturno "

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

“Com efeito, no planeta do principezinho havia, como em todos os outros planetas, ervas boas e más. Por conseguinte, sementes boas, de ervas boas; sementes más, de ervas más. Mas as sementes são invisíveis. Elas dormem no segredo da terra até que uma cisme de despertar. Então ela espreguiça, e lança timidamente para o sol um inofensivo galhinho. Se é de roseira ou rabanete, podemos deixar que cresça à vontade. Mas quando se trata de uma planta ruim, é preciso arrancar logo, mal a tenhamos conhecido.”

O Pequeno Príncipe - ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Cidadela.


"Começamos a sentir mêdo. Não tanto por nós próprios como pelo objeto dos nossos
esforços. Por aquilo em que nos transformamos ao longo da vida. Eu era cinzelador e comecei a temer pelo grande gomil de prata em que trabalhava havia já dois anos. Tinha trocado dois anos de vigília por êle. Havia outro que tremia pelas tapeçarias de lã farta, que tinha tecido com alegria Todos os dias a desenrolava ao sol. Estava orgulhoso de ter trocado qualquer coisa da sua carne encarquilhada por esta vaga que a princípio parecia profunda. Um outro teve mêdo por causa das oliveiras que havia plantado. E eu estou em crer que nenhum de nós temia a morte; todos tremíamos por causa de pequenos objetos estúpidos. Descobríamos que a vida não tem sentido se não nos trocamos pouco a pouco. A morte do jardineiro não é coisa que valesse uma árvore. Mas, se tu ameaças a árvore, então o jardineiro morre duas vêzes."


Antoine de Saint-Exupéry.