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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

domingo, 27 de junho de 2010

 No coração da mina mais secreta,
No interior do fruto mais distante,
Na vibração da nota mais discreta,
No búzio mais convolto e ressoante,
Na camada mais densa da pintura,
Na veia que no corpo mais nos sonde,
Na palavra que diga mais brandura,
Na raiz que mais desce,
mais esconde...
No silêncio mais fundo desta pausa,
Em que a vida se fez perenidade,
Procuro a tua mão,
decifro a causa
De querer e não crer,
final, intimidade.
( José Saramago )

segunda-feira, 21 de junho de 2010


“Não te aceito, não te perdôo, quero-te como és e e se possível ainda pior do que és agora. Porque este Bem que eu sou não existiria sem esse Mal que tu és. Um bem que tivesse que existir sem ti seria inconcebível, a tal ponto que nem eu posso imaginá-lo enfim, se tu acabas eu acabo. Para que eu seja o Bem é necessário que tu continues a ser o Mal. Se o Diabo não vive como Diabo, Deus não vive como Deus. A morte de um seria a morte do outro.”

Saramago.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

“Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”

(José Saramago, “Ensaio Sobre a Cegueira”)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Intimidade,

 

No coração da mina mais secreta,
No interior do fruto mais distante,
Na vibração da nota mais discreta,
No búzio mais convolto e ressoante,

Na camada mais densa da pintura,
Na veia que no corpo mais nos sonde,
Na palavra que diga mais brandura,
Na raiz que mais desce, mais esconde,

No silêncio mais fundo desta pausa,
Em que a vida se fez perenidade,
Procuro a tua mão, decifro a causa
De querer e não crer, final, intimidade.

José Saramago, in "Os Poemas Possíveis" 

sábado, 30 de janeiro de 2010

 

"Fôssemos nós tão imprudentes, ou tão ousados, como as borboletas, falenas e outras mariposas, e ao fogo nos lançaríamos, nós todos, a espécie humana em peso, talvez uma combustão assim imensa, um tal clarão, atravessando as pálpebras cerradas de Deus, o despertasse do seu letárgico sono, demasiado tarde para conhecer-nos, é certo, porém a tempo de ver o princípio do nada, agora que tínhamos desaparecido."  

- José Saramago in, O Evangelho Segundo Jesus Cristo.
"Quantas vezes, para mudar a vida, precisamos da vida inteira, pensamos tanto, tomamos balanço e hesitamos, depois voltamos ao princípio, tornamos a pensar e a pensar, deslocamo-nos nas calhas do tempo com um movimento circular, como os espojinhos que atravessam o campo levantando poeira, folhas secas, insignificancias, que para mais não lhes chegam as forças, bem melhor seria vivermos em terras de tufões. Outras vezes uma palavra é quanto basta."

(José Saramago)