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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Interior.


Meia luz imprecisa... O céu distante...
Entre nós um silêncio de carícia
falando coisas boas devagar...

Nem um gesto sequer, as mãos perdidas...
Os olhos muito longe se encontrando
noutro rumo sentido sem dizer...

Rosas na sombra lentamente desfolhadas,
um cheiro murcho de capela pequenina
onde uma santa se envenena de luar...

Tudo tranqüilo... Tudo calmo... Vida minha,
e é deste sonho que me vieste despertar!

Paulo de Gouvêa

quinta-feira, 6 de maio de 2010


Fiz meus olhos ingênuos. E a minha alma vestiu-se
de muita luz acalmada e fecunda
sob um sol que eu sabia morto há muito.

Desci ao fundo da sabedoria e trouxe
frases serenas como um fruto em sazão plena
para ofertar-te aos lábios tristes.

Menti uma felicidade loira e linda.
Disse que a vida é boa e no caminho
há sombras de conforto adormecidas.

E esse jogo pueril de crenças ilusórias
foi para que ficasses na alegria da espera,
cantando, descuidada, como outrora.

Paga-me agora todo o bem com que viveste,
não perguntando, mesmo a ti, porque fiz isso...

Paulo de Gouvêa