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quarta-feira, 16 de novembro de 2011
"- Por que você toma tanto calmante? perguntou ele sorrindo.
- Ah, disse ela com simplicidade, é assim: vamos dizer que uma pessoa estivesse gritando e então outra pessoa punha um travesseiro na boca da outra para não se ouvir o grito. Pois quando tomo calmante, eu não ouço meu grito, sei que estou gritando mas não ouço, é assim, disse ela ajeitando a saia."
Clarice Lispector em "A Maça no Escuro".
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Clarice Lispector
domingo, 16 de outubro de 2011
sexta-feira, 1 de abril de 2011
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
“Eu mesma me surpreendo ao perceber quantas horas por ano tenho para gastar. Capacito-me de que na realidade tenho mais tempo do que penso – e isso significa que vivo mais do que imaginei. Isso se fizermos as contas das horas do dia, da semana, do mês, do ano. Quem fez o cálculo foi um inglês, não sei seu nome.
Um ano tem 365 dias – ou seja, 8.760 horas. Não é enganoso não, são oito mil setecentas e sessenta horas.
Deduzam-se oito horas por dia de sono. Agora deduzam-se cinco dias de trabalho por semana, a oito horas por dia, durante 49 semanas (descontando, digamos, um mínimo de duas semanas de férias, e mais uns sete dias de feriado). Deduza duas horas diárias empregadas em condução, para quem mora longe do local de trabalho.
Nessa base sobram-lhe 1.930 horas por ano. Mil novecentas e trinta horas para se fazer o que se quiser, ou puder. A vida é mais longa do que a fazemos. Cada instante conta.”
Um ano tem 365 dias – ou seja, 8.760 horas. Não é enganoso não, são oito mil setecentas e sessenta horas.
Deduzam-se oito horas por dia de sono. Agora deduzam-se cinco dias de trabalho por semana, a oito horas por dia, durante 49 semanas (descontando, digamos, um mínimo de duas semanas de férias, e mais uns sete dias de feriado). Deduza duas horas diárias empregadas em condução, para quem mora longe do local de trabalho.
Nessa base sobram-lhe 1.930 horas por ano. Mil novecentas e trinta horas para se fazer o que se quiser, ou puder. A vida é mais longa do que a fazemos. Cada instante conta.”
Clarice Lispector em aprendendo a viver.
Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma idéia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento.
Clarice Lispector.
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Clarice Lispector
terça-feira, 26 de outubro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Porque tinha suas ausências.O rosto se perdia numa tristeza impessoal e sem rugas.
Uma tristeza mais antiga que o seu espírito.Os olhos paravam vazios;
diria mesmo um pouco ásperos.A pessoa que estivesse ao seu lado sofria e nada podia fazer.
Só esperar. Pois ela estava entregue a alguma coisa misteriosa, infante.
Ninguém ousaria tocá-la nesse momento.
Esperava-se um pouco grave, de coração apertado, velando-a.
Nada se poderia fazer por ela senão desejar que o perigo parasse.
Até que num movimento sem pressa, quase um suspiro,
ela acordava como um cabrito recém-nascidose ergue sobre as pernas.
Voltara de seu repouso na tristeza.
.
(Clarice Lispector)
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Clarice Lispector
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
terça-feira, 31 de agosto de 2010
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Essa moça não sabia que ela era o que era. (…)Daí não se sentir infeliz. A única coisa que queria era viver. Não sabia para que, não se indagava.
Quem sabe, achava que havia uma gloriazinha em viver. Ela pensava que a pessoa é obrigada a ser feliz. Então era.
Clarice Lispector in “A hora da estrela”
domingo, 29 de agosto de 2010
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Era preciso tomar cuidado com o olhar de espanto dos outros. Era preciso nunca mais dar motivo para espanto, ainda mais com tudo ainda tão recente. E sobretudo poupar a todos o mínimo sofrimento da dúvida. E que não houvesse nunca mais necessidade da atenção dos outros — nunca mais essa coisa horrível de todos olharem-na mudos, e ela em frente a todos. Nada de impulsos.
(Clarice Lispector)
terça-feira, 17 de agosto de 2010
sábado, 7 de agosto de 2010
sexta-feira, 30 de julho de 2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Outra coisa: se tinha alguma dor e se enquanto doía ela olhava os ponteiros do relógio, via então que os minutos contados no relógio iam passando e a dor continuava doendo. Ou senão, mesmo quando não lhe doía nada, se ficasse de fronte do relógio espiando, o que ela não estava sentindo também era maior que os minutos contados no relógio. Agora quando acontecia uma alegria ou uma raiva, corria para o relógio e observava os segundos em vão.
Clarice Lispector.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me fez ouvir o primeiro tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina - porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro.
Clarice Lispector.
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