Mostrando postagens com marcador Arthur Rimbaud.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Arthur Rimbaud.. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 8 de outubro de 2010


Nas belas tardes de verão, pelas estradas irei,
Roçando os trigais, pisando a relva miúda:
Sonhador, a meus pés seu frescor sentirei:
E o vento banhando-me a cabeça desnuda.

Nada falarei, não pensarei em nada:
Mas um amor imenso me irá envolver,
E irei longe, bem longe, a alma despreocupada,
Pela Natureza — feliz como com uma mulher.

Arthur Rimbaud.
Juventude presa
A tudo oprimida
Por delicadeza
Eu perdi a vida.
Ah! Que o tempo venha
Em que a alma se empenha.

Eu me disse: cessa,
Que ninguém te veja:
E sem a promessa
De algum bem que seja.
A ti só aspiro.
Augusto retiro.
Tamanha paciência
Não irei esquecer.
Temor e dolência,
Aos céus fiz erguer.
E esta sede estranha
A ofuscar-me a entranha.

Qual o Prado imenso
Condenado a olvido,
Que cresce florido
De joio e de incenso
Ao feroz zunzum das
Moscas imundas.

(Arthur Rimbaud.)

domingo, 9 de maio de 2010


"Eu abracei a aurora de verão. Nada ainda se mexia na fachada dos palácios. A água estava morta. Acampamentos de sombras não deixavam a trilha do bosque. Eu marchava, despertando hálitos vivos e cálidos, e as pedrarias espiavam, e as alas se levantavam sem um som. A primeira missão foi, num atalho já cheio de centelhas frescas e pálidas, uma flor que medisse seu nome. Sorri para a loira wasserfall que se descabelava através dos pinheiros; reconheci a deusa no cimo de prata. Então, um a um, levantei os véus. Nas alamedas, agitando os braços. Pela planície, onde a denunciei ao galo. Na cidade grande ela fugia entre cúpulas e campanários, e correndo como um mendigo entre docas de mármore, eu a caçava. No alto da trilha, perto de um bosque de louros, eu a envolvi com seu monte de véus, e senti um pouco seu corpo imenso. A aurora e a criança caíram na beira do bosque. Ao acordar, meio-dia.” 

Arthur Rimbaud.

quinta-feira, 18 de março de 2010

"Escrevia silêncios, noites, anotava o inexprimível.
Fixava vertigens.
Criei todas as festas, todos os triunfos, todos os dramas.
Tentei inventar novas flores, novos astros, novas carnes, novos idiomas."

(Arthur Rimbaud)
"Quando a gente é forte,- quem se afasta? muito fresco,-
quem cai no ridículo? Quando a gente é mau, que fariam de
nós?
Se arrume, dance, ria,
- Nunca pude mesmo jogar o Amor
pela janela."

(Arthur Rimbaud)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

“O tédio já não é o meu amor. As cóleras, a libertinagem, a loucura, - dos quais conheço todos os impulsos e todas as conseqüências – todo o meu fardo está deposto. Apreciemos sem vertigem a extensão de minha inocência. Já não serei capaz de implorar o consolo de uma bastonada. Não me acredito a caminha de umas núpcias com Jesus Cristo por sogro. Não sou prisioneiro de minha razão. Disse: Deus. Quero a liberdade na salvação: como alcançá-la? Os gostos fúteis abandonaram-me. Jánão preciso de sacrifícios nem de amor divino. Não tenho saudades do século dos corações sensíveis. Cada um tem sua razão, desprezo e caridade: retenho meu lugar no alto desta angélica escala de bom senso. Quanto à felicidade estabelecida, doméstica ou não... não, não posso. Estou demasiado gasto, demasiado débil. A vida floresce pelo trabalho, velha verdade: quanto a mim, minha vida não é suficientemente pesada, voa e flutua distante, por cima da ação, esse adorado eixo do mundo."

(Arthur Rimbaud)